Um dos problemas que demandam solução mais urgente em todo o Brasil e, contraditoriamente, um dos filões mais lucrativos e cobiçados de prestação de serviços ao setor público parece prestes a entrar em uma nova era em Minas Gerais. Nela, o tratamento do lixo ganhará novas tecnologias, a geração de energia a partir do que hoje é só sujeira será realidade, a reciclagem terá prioridade e reduzir o volume de resíduos enterrados será obrigação. Em um estado onde é preciso ameaçar prefeitos com punição severa para acabar com os 278 lixões ainda ativos e obrigá-los a construir aterros sanitários, esse cenário pode parecer ficção. Mas é a mais nova aposta para a transformar a Grande Belo Horizonte na primeira região metropolitana da América a ter 100% do lixo tratado. Um total de 47 cidades se juntou para fazer um megaconsórcio do lixo e ter muito mais em comum do que apenas a proximidade geográfica. A iniciativa começa a ganhar forma hoje, com a abertura da consulta pública aos interessados no empreendimento.

BH é a única cidade da região metropolitana que não participará da iniciativa. Entre as 47, há 14 integrantes do Colar Metropolitano. A consulta pública vai nortear a elaboração final do edital de parceria público-privada (PPP) para transbordo, tratamento e disposição final de resíduos sólidos urbanos, coordenado pelas secretarias de Estado de Gestão Metropolitana de Belo Horizonte (Segem) e de Desenvolvimento Econômico (Sede). Até o dia 28 do mês que vem, elas querem saber de grupos de catadores de material reciclável, operadores de tecnologia nacionais e internacionais e dos investidores o que pode ser acrescentado ou mudado no projeto.

O modelo de gerenciamento do lixo – aterro, incinerador ou outra tecnologia – será definido pelo vencedor da licitação, que deverá, além de oferecer o menor preço, se comprometer a aterrar menos resíduos. Essa é a principal novidade: o consorciado terá a obrigação de não enterrar, pelo menos, 20% de todo o detrito recolhido nas 47 cidades – percentual que deverá ser reciclado ou transformado em energia. Os aterros ou usinas não têm ainda locais definidos e serão escolhidos pela iniciativa privada. A estimativa é de que três cidades sejam apontadas para receber os depósitos.

Interesse internacional

Durante a consulta, serão feitas também audiências públicas. A abertura da licitação está marcada para junho, na Semana do Meio Ambiente. A expectativa é de que a empresa vencedora assine contrato até o início do ano que vem e as primeiras operações comecem ainda no segundo semestre de 2013. A concorrência é internacional e, até agora, cinco empresas internacionais, da Inglaterra, Estados Unidos, Espanha, Japão e China, e 10 nacionais manifestaram interesse em participar. 

“A questão do resíduo sólido é muito de escala. Não adianta ter poucos municípios com poucos resíduos. A Grande BH tem essa marca: a população vivendo razoavelmente próxima”, afirma o diretor-geral da Agência de Desenvolvimento da Região Metropolitana de Belo Horizonte (ARMBH), vinculada à Segem, Camillo Fraga. Ele explica que, além de tratamento total do lixo, um avanço do consórcio será o aproveitamento energético, que poderá se dar pelo gás metano ou aproveitamento direto do resíduo (por meio da incineração, gaseificação ou outras tecnologia). “O combustível derivado do resíduo pode ser vendido, queimado no forno ou gerar energia proveniente do calor. Países da Europa e o Japão estão bem mais avançados nesse aspecto”, ressalta. A coleta seletiva será também obrigatória em todos os municípios participantes. 

Coordenador-geral da Unidade Central de PPPs, vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Marcos Siqueira destaca que o projeto se apoia numa lógica inversa e na inovação, inspiradas em projetos desenvolvidos no Reino Unido. “Hoje, mesmo as cidades que dispõem corretamente o lixo o fazem em aterros sanitários. Queremos um menor volume aterrado, pois esse já é um modelo que ficou para trás e está deixando grande passivo ambiental”, diz. “Propomos uma flexibilidade tecnológica e um incentivo ao não aterramento. O contrato prevê que sempre que surgir uma nova tecnologia que diminui o depósito de lixo, haverá incentivo financeiro e pagamento garantido para que o modelo seja alterado, sem precisar de aditivos contratuais e outras modificações”, acrescenta.

Proposta envolve contrato milionário

Um negócio lucrativo. A empresa candidata a mudar os conceitos de tratamento de resíduo sólido da Região Metropolitana de Belo Horizonte terá de desembolsar mais de R$ 750 milhões. Em compensação, terá por ano, numa conta simples, vários incentivos e muitos milhões em rendimentos. A participação de cada integrante dessa história também está bem definida: o estado vai licitar, terá também o contrato com o grupo responsável pela execução do trabalho, e aos municípios caberá levar os resíduos para o local indicado e dividir o custo pela destinação adequada. 

Juntas, as 47 cidades da Grande BH e do Colar Metropolitano participantes da parceria público-privada que, juntas, vão gerar cerca de 40 milhões de toneladas de lixo durante os 30 anos de vigência do contrato – prorrogável por mais cinco anos. Apenas no primeiro ano, a Unidade Central de Parcerias Público-Privadas e a Agência de Desenvolvimento da Região Metropolitana de Belo Horizonte (ARMBH) estimam 1 milhão de tonelada de destritos, quantidade que aumentará para 1,5 milhão de tonelada nos anos seguintes. 

Pela proposta inicial, o pagamento de estados e municípios vai obedecer o teto de R$ 65 por tonelada. De acordo com o Coordenador-geral da Unidade Central de PPPs, da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Marcos Siqueira, esse é o valor para aterramento de 50% dos resíduos. “Acima disso paga-se menos, para incentivar o não aterramento”, destaca. Já a taxa de retorno, que representa quanto o vencedor da concessão vai ganhar ao investir, é de 12% ao longo do projeto. “Além do pagamento compartilhado do governos do estado e prefeituras, é uma mistura de três receitas que dão viabilidade ao projeto. Lixo é um produto lucrativo”, destaca o diretor-geral da ARMBH, Camillo Fraga.

Cooperação

O projeto de análise de resíduos sólidos nos municípios da RMBH e Colar Metropolitano contaram com a cooperação técnica entre a Secretaria de Estado de Gestão Metropolitana de BH e representantes da Agência Japonesa de Cooperação Internacional (Jica) e da Prefeitura de Kitakyushu, também no Japão. Em março, os japonses estiveram em Minas para conhecer as iniciativas em gestão ambiental desenvolvidas na Grande BH, com ênfase em resíduos sólidos.

Representantes do governo de Minas também foram ao Japão conhecer o modelo de incinerador desenvolvido no país. A agência japonesa se comprometeu a subsidiar a capacitação de técnicos brasileiros que ficarão responsáveis pelos estudos e análise dos resíduos sólidos na Região Metropolitana de BH, identificando, principalmente, o poder calorífico com potencial para ser usado na geração de energia. 


Fonte:http://www.em.com.br/app/noticia/gerais/2012/04/14/interna_gerais,288758/da-era-do-lixo-a-idade-da-tecnologia.shtml
 
 
Agência Brasil

Publicação: 24/10/2011 18:35 Atualização: 24/10/2011 18:44

A Caixa Econômica Federal vai contratar, ainda neste ano, uma operação de crédito de US$ 50 milhões com o Banco Mundial (Bird) para apoiar projetos de beneficiamento de resíduos sólidos urbanos (RSU) no país, revelou Denise Maria Lara de Souza Seabra, gerente de Produtos de Saneamento e Infraestrutura da Caixa.

Engenheira civil e sanitarista, Denise disse à Agência Brasil que a contratação de empréstimo com o Bird foi autorizada pelo Senado no início deste mês, e “certamente será efetivada ainda este ano, de modo a que possamos operar, já no início de 2012”, os financiamentos de projetos destinados à gestão de resíduos sólidos e em mecanismos de desenvolvimento limpo.

Segundo ela, a linha de crédito financiará projetos de órgãos públicos ou privados, desde que envolvam ações integradas para reduzir impactos ambientais e sociais, melhorar a saúde pública e promover soluções sustentáveis. Objetivos perfeitamente alcançáveis com a construção e operação de aterros sanitários, fechamento de aterros a céu aberto e operação de instalações alternativas para tratamento de resíduos, acrescentou.
Denise lembrou que o lixo sem tratamento adequado gera muito metano – substância que contribui para o aquecimento global, além de contaminar o lençol freático. “Precisamos investir o máximo possível para garantir água de boa qualidade e melhores condições climáticas para a humanidade. E isso só será possível mediante a promoção do desenvolvimento sustentável”, enfatizou.

Ela lembrou que a situação ambiental tem melhorado bastante no Brasil, em especial depois do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), mas lembrou que as ações e recursos até agora investidos são insuficientes para dotar o país de condições de desenvolvimento limpo. Ela ressaltou que “está havendo uma disponibilização crescente de financiamentos para o setor, mas do ponto de vista setorial ainda há muito a ser feito”.

De acordo com a gerente de Produtos de Saneamento e Infraestrutura, a Caixa foi o único banco do mundo convidado a fazer parte do fundo de crédito de carbono – Carbon Partnership Facility (CPF) – coordenado pelo Bird. É também a única instituição brasileira autorizada a intermediar a comercialização de carbono – programa criado para compensar financeiramente os países em desenvolvimento que investem na redução da emissão de gases causadores do efeito estufa.
Fonte: http://www.em.com.br/app/noticia/economia/2011/10/24/internas_economia,257895/caixa-tera-us-50-milhoes-do-banco-mundial-para-financiar-tratamento-de-residuos-solidos.shtml
 
 
Agência Brasil

Publicação: 24/10/2011 17:24 Atualização:

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) multou em R$ 6 milhões a Império do Forro de Bolso, empresa têxtil pernambucana responsável por importar toneladas de lixo hospitalar dos Estados Unidos. A companhia dona do navio que trouxe os dois contêineres apreendidos no Porto de Suape nos dias 11 e 13 de outubro, a companhia marítima Hamburg Süd será multada em R$ 2 milhões.

O órgão ambiental aplicou multa de R$ 2 milhões a cada um dos três estabelecimentos da Império do Forro de Bolso interditados nas últimas semanas: dois galpões e uma loja localizados nas cidades de Santa Cruz do Capibaribe, Caruaru e Toritama. Em nota, o Ibama informou que as multas se devem a danos causados ao meio ambiente pelo material irregular, classificado como potencialmente infectante pela legislação sanitária brasileira.

Ainda na nota, o órgão defende que os dois contêineres, com cerca de 46 toneladas de tecido com a logomarca de hospitais norte-americanos e manchas que o Instituto de Criminalística de Pernambuco analisa para saber se são de sangue, devem ser devolvidos aos Estados Unidos. Já as cerca de 25 toneladas encontradas na loja e nos galpões da Império do Forro não podem, segundo o Ibama, ser devolvidos e devem ser incinerados por uma empresa especializada. O material encontrado nos estabelecimentos é, provavelmente, proveniente de seis contêineres que a Império do Forro recebeu este ano da mesma exportadora norte-americana e que não foram inspecionados pela alfândega.

Procurada para se manifestar sobre a multa, a empresa Hamburg Süd não se pronunciou.
fonte: http://www.em.com.br/app/noticia/nacional/2011/10/24/interna_nacional,257881/empresa-que-importou-lixo-hospitalar-dos-eua-e-multada-em-r-6-milhoes-pelo-ibama.shtml
 
 
Por Katia Ventura.Informo que tive a oportunidade de participar nos itens Resíduos de Serviços de Saúde e Resíduos de Portos e Aeroportos da versão preliminar do Plano Nacional de Resíduos Sólidos, que está em consulta pública a partir de hoje, por 60 dias.
 
Esse documento não aborda tudo o que foi escrito por cada consultor/pesquisador e, portanto, representa uma versão preliminar dos pontos mais importantes apontados pelo MMA.
 
Vejam o site:
http://www.mma.gov.br/estruturas/253/_arquivos/versao_preliminar_pnrs_wm_253.pdf

As contribuições poderão ser realizadas através de formulário específico que estará em:

http://www.mma.gov.br/sitio/index.php?ido=conteudo.monta&idEstrutura=253&idConteudo=11470&idMenu=12281


Haverá audiências públicas em todas as regiões do país, começando pelo Centro-Oeste em Campo Grande/MS durante os dias 13 e 14 de setembro de 2011.

http://www.mma.gov.br/sitio/index.php?ido=conteudo.monta&idEstrutura=253&idConteudo=11471&idMenu=12282


As datas e locais das outras audiências serão confirmadas em breve:

http://www.mma.gov.br/sitio/index.php?ido=conteudo.monta&idEstrutura=253&idMenu=12279
 
 
Falta de oxigênio na água doce, branqueamento de corais nos mares, inclusão de poluentes químicos na cadeia alimentar, esgotamento dos recursos hídricos, diminuição da capacidade dos oceanos de fixar carbono, deslizamentos de terra, queda ou aumento na produtividade de cultivos…

A reportagem é de Karina Ninni e publicada pelo jornal O Estado de S.Paulo, 31-08-2011.

Boa parte desses fenômenos tem sido atribuída ao ciclo do carbono e ao aquecimento global. Mas, há alguns anos, cientistas vêm defendendo que a estabilidade característica do período Holoceno (os últimos 10 mil anos), que permitiu o desenvolvimento da humanidade, depende de vários sistemas interconectados – além do ciclo do carbono – que o homem também modifica. São as “fronteiras planetárias”, segundo definição de Johan Rockström, do Stockholm Resilience Centre, na Suécia.

Fronteiras

Rockström e colegas de diversas especialidades estabeleceram nove “fronteiras” de atuação humana: perda de biodiversidade, lançamento de aerossol na atmosfera, poluição química, mudança climática, acidificação dos oceanos, redução da camada de ozônio, ciclos do nitrogênio e do fósforo, consumo global de água e mudança no uso do solo. Para seis delas, os cientistas sugerem limites de intervenção e concluem que, em três dessas fronteiras, nós já ultrapassamos os limites: perda de biodiversidade, ciclo do nitrogênio e mudança climática.

“As fronteiras definem os limites seguros para a ação humana e estão associadas aos processos e subsistemas biofísicos do planeta”, afirma o cientista. Seu artigo A safe operating space for humanity (“Um espaço operacional seguro para a humanidade”, em tradução livre), foi tema de um evento no mês passado na University College London, na Grã-Bretanha, às vésperas da 17.ª COP, em Durban, África do Sul.

“Estamos em um momento importante para o mapeamento das vulnerabilidades do planeta. Mas, em alguns casos, não sabemos nem mesmo quais são elas”, afirma o pesquisador Gilvan Sampaio, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

“Por mais que tentemos encarar esses limites de forma única, eles estão entrelaçados. Se aumenta a quantidade de carbono na atmosfera, provocando aquecimento, interfere-se na permanência das florestas e na manutenção dos recursos hídricos”, exemplifica Lúcio Bede, biólogo e membro da Conservação Internacional (CI).

Uma outra fronteira problemática é a do ciclo do nitrogênio, muito utilizado na formulação de fertilizantes agrícolas. “O que a planta não absorve vai ser oxidado ou reduzido até chegar ao N2 (nitrogênio em estado gasoso) que vai para a atmosfera. O problema é quando essas reações não se fecham em N2, mas em formas mais reativas, que são os óxidos nitrosos, gases com potencial de causar efeito estufa maior até que o do CO2″, explica Fabrício Butierres, engenheiro químico e professor da Universidade Federal do Rio Grande.

“O nitrogênio em forma de nitrito ou amoniacal vai para as águas e causa eutrofização (falta de oxigênio), provocando perda de biodiversidade”, diz.

Conhecimento empírico

A constatação dessas conexões entre as fronteiras levou Rockström e seus colegas a estipular limites para as operações humanas. Mas, em alguns casos, segundo especialistas, esses limites não se aplicam.

“Os limites usados são medidas únicas. Mas poluição química é outra coisa: existem inúmeros tipos de poluentes”, explica Márcia Caruso Bicego, professora do Instituto Oceanográfico da USP, especialista em oceanografia química. “Muitos efeitos dos poluentes nós conhecemos pelas catástrofes: todo mundo sabe o que o mercúrio provoca, por causa do acidente de Minamata, no Japão. Todo mundo sabe o que acontece se alguém ingerir uma cápsula de césio-137, porque uma menininha em Goiás fez isso”, explica ela.

PERDA DE HÁBITAT, POLUIÇÃO E EXÓTICAS

A extinção de espécies é natural e aconteceria mesmo sem a intervenção humana. Mas está ocorrendo de forma acelerada: a taxa de extinção está entre cem e mil vezes maior do que seria natural. Os vilões são a perda de hábitat, a poluição e as espécies exóticas. Hoje, estão ameaçados de extinção 25% dos mamíferos, 12% das aves, 25% dos répteis, 20% dos anfíbios, 30% dos peixes e 12,5% das plantas.

Limites propostos: O estudo propõe uma taxa de extinção de até 10 espécies por milhão ao ano. Atualmente, perdemos mais de cem.

CHUVA ÁCIDA, EFEITO ESTUFA E MORTANDADE

O excesso de nitrogênio tem desdobramentos como aumentar a quantidade de nutrientes nas águas doces (provocando morte dos organismos). Sua interação com o oxigênio forma os óxidos de nitrogênio, que aumentam o efeito estufa. Reagindo com o hidrogênio, induz a ocorrência de chuva ácida, que pode corroer estruturas de metal e concreto nas cidades e interferir nos cultivos agrícolas no campo.

Limites propostos: Sugere-se a retirada de 35 milhões de ton/ano de N2 da atmosfera para uso humano. Hoje são retiradas 121 milhões ton/ano.

FOGO E DESMATAMENTO GERAM VULNERABILIDADE

O Protocolo de Kyoto não considera emissões oriundas de queima de biomassa, somente aquelas derivadas de processos industriais. Mas, no Brasil, cerca de 75% das emissões são derivadas de queimadas e desmatamento. Esse tipo de emissão modifica o clima local e as características da vegetação “de contato”, aquela que restou nos arredores do que foi retirado. Ela fica mais suscetível a incêndios.

Limites propostos: Hoje as concentrações de dióxido de carbono na atmosfera são de 387 partes por milhão (ppm). O estudo propõe 350 ppm.

MARES MAIS ÁCIDOS PREJUDICAM CORAIS

A acidificação dos oceanos é um processo que vem se acentuando conforme aumenta a concentração de carbono na atmosfera. Quando o CO2 se dissolve na água do mar, ele forma o ácido carbônico, tornando a água mais corrosiva. Quem mais sofre com a acidificação são os organismos como corais, moluscos e conchas.

Limites propostos: Os cientistas sugerem que o nível de saturação de aragonita (forma cristalina do carbonato de cálcio) na superfície do mar seja de 2,75. Hoje é de 2,9.

FALTA DE OZÔNIO PODE ESTAR EVITANDO DEGELO

A principal causa da destruição é o uso de produtos químicos presentes em aerossóis, geladeiras e extintores de incêndio. É a camada de ozônio que protege os seres vivos dos efeitos nocivos dos raios ultravioleta. Porém, segundo estudos recentes, a ausência de ozônio sobre a Antártica pode estar ajudando a retardar o derretimento do gelo, pois a coluna atmosférica sobre a região absorve menos radiação.

Limites propostos: A redução da camada de ozônio não deve ultrapassar as 276 unidades Dobson (menor unidade de medida usada nas pesquisas sobre ozônio). Hoje é de 283.

BIODIVERSIDADE GARANTE ÁGUA POTÁVEL

As matas ciliares são as grandes responsáveis pela qualidade da água potável do mundo. Estima-se em 1,35 milhão de km3 o volume total de água na Terra. Desse total, 2,5% é de água doce, mas que se encontra em geleiras ou aquíferos de difícil acesso. E 0,007% é de água doce encontrada em rios, lagos e na atmosfera, que representa o que podemos realmente usar.

Limites propostos: Calcula-se que a humanidade use hoje cerca de 2,6 mil km3 de água por ano. O estudo propõe um teto de 4 mil km3/ano.

PARTÍCULAS DE AEROSSOL AFETAM CHUVAS

A quantidade de aerossol na atmosfera (partículas suspensas oriundas das atividades humanas e dos processos naturais) afeta diretamente a ocorrência de chuvas. O excesso de aerossol diminui a incidência pluviométrica e faz as gotas de chuva ficarem menores, às vezes evaporando antes de chegar ao chão. Os processos naturais de geração do aerossol estão associados com a ação do vento no solo e nas rochas, no mar, e ainda com vulcões e queimadas.

Limites propostos: Não há limites mínimos ou máximos de aerossol na atmosfera.

FLORESTA VIRA LAVOURA E CASA OCUPA MORRO

Algumas das consequências do uso equivocado do solo são bem conhecidas: deslizamentos e tragédias. A ocupação de topos de morro e regiões costeiras suscetíveis à erosão facilitam a ocorrência de acidentes na época de chuva. A mais impactante faceta dessa “fronteira” é a transformação de florestas em pastagens e áreas agrícolas, com o uso de fertilizantes e pesticidas.

Limites propostos: O limite sugerido para transformação da superfície terrestre em áreas cultivadas é de 15%. Hoje, já transformamos 11,7%.

(Ecodebate, 01/09/2011) publicado pela IHU On-line, parceiro estratégico do EcoDebate na socialização da informação.

[IHU On-line é publicada pelo Instituto Humanitas Unisinos - IHU, da Universidade do Vale do Rio dos Sinos – Unisinos, em São Leopoldo, RS.]http://www.ecodebate.com.br/2011/09/01/nove-acoes-humanas-que-ameacam-a-terra/

 
 
Turquia pode drenar Síria e Iraque com represa Atatürk sobre o Rio Eufrates

Crescimento da população mundial e aumento nos padrões de vida exigem cada vez mais de um recurso natural insubstituível e escasso: água. Consumo crescente e reservas finitas são receita certa para conflitos.

Duas coisas são indispensáveis aos seres humanos, não importa como ou onde vivam: água e comida – sendo que a água é também insubstituível na produção de alimentos. Quando a demanda do “ouro azul” supera a oferta, é quase certo que o resultado seja um conflito.

Em tempos de mudança climática global, um exame do crescimento demográfico e do aumento no consumo de água gera inquietação quanto ao futuro. Sobretudo porque muitos fluxos hídricos atravessam fronteiras nacionais.

O relatório da Unesco para 2003 apresenta números exatos: em todo o mundo, 263 fluxos de água atravessam os territórios de 145 Estados. Eles correspondem a 60% do volume total de água doce disponível no planeta e abastecem 40% da população mundial.

Dezenove rios atravessam mais de cinco nações fronteiriças, e projetos de represas são a principal causa de conflitos entre os países que se encontram no curso superior ou inferior dos rios. Com seu projeto Atatürk, de represar o Rio Eufrates, por exemplo, a Turquia pode literalmente fechar as torneiras da Síria e do Iraque.

Desequilíbrio na África

Num estudo realizado em fevereiro de 2011, o Instituto Alemão de Assuntos Internacionais e de Segurança (SWP), sediado em Berlim, classifica como de alto risco a situação nos rios Amurdaya e Syrdaya, da Ásia Central, e no Nilo. Um dos autores dessa análise é Tobias von Lossow. Em entrevista à Deutsche Welle, o politólogo apontou para as décadas de conflitos entre o Egito e o Sudão, de um lado, e a Etiópia, do outro:

“Também por razões econômicas, até o momento a Etiópia não podia desenvolver plenamente seu potencial de utilização da água, seja na irrigação agrária, seja na produção de energia. Isso, porém, mudou basicamente com as novas possibilidades de financiamento e o apoio da China nos últimos anos.”

O Nilo, rio mais extenso da África, percorre quase 7 mil quilômetros do centro e leste do continente até o Mar Mediterrâneo e atravessa dez países – marcados por uma inegável assimetria na utilização de suas águas.

Divisão desigual

Os Estados localizados no curso superior do rio possuem o maior volume da água diponível, mas é no curso inferior que ela é mais consumida, sobretudo pelo país que menos dispõe do “ouro azul”, o Egito. Tal situação está fixada num acordo de 1929, negociado ainda pela Inglaterra, potência colonial na época. Traduzido em termos atuais: o Egito pode usar 66% da água do Rio Nilo, e o Sudão, 18%.

Antes, quando as nações no curso superior do Nilo pouco utilizavam sua riqueza hidrográfica, o potencial de conflito era reduzido. Hoje em dia, contudo, a Etiópia, em especial, mas também Ruanda, Quênia e Uganda querem utilizar o precioso recurso para o próprio desenvolvimento, e pleiteiam novas regras.

O anúncio do governo etíope de que passaria a usar mais a água do Nilo na própria agricultura e na produção de energia já provocou ameaças indiretas de guerra por parte dos egípcios. Consta, por exemplo, que o ex-presidente Anwar Sadat teria declarado: “O único motivo que poderia levar o Egito mais uma vez à guerra seria a água”. Até agora, instâncias multilaterais, como a Iniciativa da Bacia do Nilo, tiveram pouco sucesso em harmonizar os diferentes interesses dos países rio acima e rio abaixo.

China x Índia

Na Ásia, por outro lado, o choque é entre duas nações emergentes: China e índia. A China tem uma sede tremenda e abriga as nascentes de alguns dos maiores e mais importantes rios da região, como o Mekong e o Brahmaputra. Pequim planeja gigantescos projetos hídricos, a fim de levar a água do norte até o seco sul. Nesse contexto, a Índia suspeita que a China também esteja desviando água do Himalaia.

Jagarnath Panda é perito em assuntos chineses do Institute of Defense Studies and Analyses, em Nova Deli. Como revelou à Deutsche Welle, ele acredita que a água possa se tornar um problema central entre a Índia e a China. “Os chineses negam em alto e bom som a tese de que planejem desviar água. Mas nós sabemos que eles se ocupam de projetos com esse fim.”

Segundo Panda, nos últimos anos, acima de tudo uma coisa mudou: “Em ambos os países, a opinião pública começou a falar do tema ‘água’. As pessoas já compreenderam: nem a questão fronteiriça, nem o papel da China ou da Índia em âmbito regional ou global, mas sim a água será o maior problema entre os dois países nos próximos anos”.

Guerra pouco prática

De fato, a água é um dos elementos de diversos conflitos. Entretanto, Von Lossow considera distante a possibilidade de haver uma guerra pelos direitos da água, até porque isso seria bastante difícil, do ponto de vista da estratégia militar, a começar por considerações absolutamente práticas:

“Quem bombardeia uma represa fica de frente para a inundação rio abaixo”, observa o perito do SWP. Além disso, a água é pesada e tem um valor econômico relativamente baixo, de modo que não se pode transportá-la como diamantes ou petróleo bruto.

Devido a limitações topográficas naturais, para se controlar uma fonte de água seria necessário ocupar todo o território de uma bacia hidrográfica, o que, a longo prazo, assegura o politólogo Tobias von Lossow, seria simplesmente caro demais.

Autor: Matthias von Hein (av)
Revisão: Francis França

Reportagem da Agência Deutsche Welle, DW, publicada pelo EcoDebate, 30/08/2011

 
 
Brasil chega a importar plástico reciclado do Paraguai para atender à demanda crescente, mesmo tendo índice alto de reciclagem, de 56%

Em 2010 o Brasil reciclou 56% das embalagens de PET colocadas no mercado, ou 282 mil toneladas. O número – considerado alto por especialistas, dada a coleta seletiva incipiente que existe no País – é 7,6% maior que o de 2009. A indústria recicladora brasileira, no entanto, ainda trabalha com 30% de capacidade ociosa e o Brasil chega a importar PET reciclado do Paraguai. Reportagem de Karina Ninni, em O Estado de S.Paulo.

“Nos últimos três anos importamos 10 mil toneladas em forma de “flakes” (flocos), vindas do Paraguai”, afirma o presidente da Associação Brasileira da Indústria do PET (Abipet), Auri Marçon.

O resultado é que o preço do PET reciclado se equipara ao valor da matéria-prima oriunda da natureza. Os pelets (pequena unidade de PET) virgens custam cerca de US$ 1,9 a tonelada e os flakes reciclados, US$ 1,6.

Os números foram apresentados ontem em evento da Abipet para divulgação do 7.º Censo da Reciclagem do PET.

Como consequência da falta de embalagens para reciclagem, as margens de crescimento da indústria de reciclagem do PET vêm caindo em relação aos anos anteriores.

De 1994 a 2002, o porcentual de reciclagem das embalagens PET pós-consumo no Brasil subiu de 18,8% para 35% do total comercializado. De 2003 a 2006, subiu de 43% para 51,3%. E, desde então, a alta anual tem variado de 1,5% a 2%. “Não se pode esperar o mesmo crescimento dos anos anteriores, porque isso não vai acontecer. A indústria da reciclagem está tirando PET de pedra”, diz Leandro Fraga Guimarães, consultor da Nous Consulting, que fez o censo.

Falta coleta

Dados de um relatório do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), lançado em 2010, indicam que 37% dos materiais potencialmente recicláveis aparecem misturados aos resíduos sólidos urbanos. Do ponto de vista da reciclagem, esses 37% não têm destinação adequada e são “enterrados” com outros materiais não recicláveis, como matéria orgânica, por exemplo.

A falta de um bom sistema de coleta seletiva é apontada pelos especialistas como o calcanhar de aquiles da indústria da reciclagem PET no Brasil. “O material está aqui, mas nós não temos como chegar a ele, pois está escondido nos aterros”, diz Guimarães. “Nós recolocamos tudo o que reciclamos na cadeia produtiva brasileira. Mas estamos estrangulados pela coleta seletiva incipiente”, afirma Marçon.

Hoje, apenas 18% das cidades brasileiras têm coleta seletiva.

Boa performance

Apesar do cenário, numa comparação com vários países com indicadores socioeconômicos melhores do que os nossos, o Brasil acaba tendo uma posição de destaque na reciclagem do PET. Em um estudo que cruzou dados de reciclagem de PET com informações sobre população, território, renda per capita e escolaridade, o País está na sexta colocação, atrás de Japão, França, Alemanha, Suíça e República Tcheca.

“São países que têm um território muito menor que o nosso, índice de escolaridade e renda per capita maiores, mas aparecemos próximos deles no tocante à reciclagem de PET”, explica o analista de mercado Sotirios Denis Ghinis, da Abipet.

Ele atribui isso a três variáveis: a pesquisa para aplicação do PET reciclado, a disponibilidade de mão de obra abundante (catadores) e o espírito de empreendedorismo do brasileiro.

“A indústria brasileira viu no PET pós-consumo uma oportunidade, um novo material para trabalhar”, afirma o analista. “É um equilíbrio um pouco frágil, é verdade, porque nenhum país desenvolvido chegou a esse nível só pelas forças do mercado. É preciso que o Estado atue e que a sociedade civil faça sua parte.”

No Brasil, o maior usuário do PET reciclado é o setor têxtil (38% do total), seguido de resinas (19%), embalagens (17%) e laminados (8%).

EcoDebate, 26/08/2011

 
 
Resíduos de produtos químicos perigosos tanto para o ambiente quanto para a saúde foram encontrados em produtos de 14 grandes marcas de roupa, denunciou nesta terça-feira a organização ambientalista Greenpeace em seu relatório “Roupa suja 2″.

Análises em amostras de roupa de marcas como Adidas, Uniqlo, Calvin Klein, H&M, Abercrombie & Fitch, Lacoste, Converse e Ralph Lauren evidenciaram a utilização de produtos químicos conhecidos como nonilfenóis-etoxilados em sua fabricação, alertou a organização. Reportagem da France Presse.

O ativista do Greenpeace Li Yifang disse que o nonilfenol etoxilado, comumente usado em detergentes industriais e na produção de têxteis naturais e sintéticos, foi detectado em dois terços das amostras analisadas.

“O nonilfenol etoxilado tem propriedades tóxicas, persistentes, e causa transtornos hormonais”, disse Li à imprensa, em Pequim.

“Ele mimetiza os hormônios femininos, altera o desenvolvimento sexual e afeta os sistemas reprodutivos”, assegurou.

Aos componentes deste produto químico se deve a estendida “feminização” de peixes machos em partes da Europa, bem como transtornos hormonais em alguns mamíferos, segundo a WWF, outra organização protetora da biodiversidade.

O Greenpeace informou ter comprado 78 peças de roupa dessas marcas, a maioria fabricada em China, Vietnã, Malásia e Filipinas e em outros 18 países, e as submeteu a testes científicos.

“Até mesmo em baixos níveis representam uma ameaça para o meio ambiente e para a saúde humana”, disse Li.

“Não é só um problema para o desenvolvimento dos países onde é fabricada” a roupa. É que, na lavagem, essas peças desprendem níveis residuais de nonilfenol etoxilado, o que afeta os países onde de fato seu uso é proibido, alertou.

O uso desses produtos químicos é restrito na Europa.

ADIDAS

Por ocasião da divulgação do informe, ativistas do Greenpeace entraram em uma loja da Adidas em Hong Kong para pedir à marca que elimine o uso de produtos químicos perigosos em seus produtos e para que seus clientes potenciais pensem antes de comprar seus produtos.

A Adidas também esteve na mira do relatório anterior do Greenpeace, intitulado “Roupa suja”, divulgado no mês passado, no qual acusou o fabricante de contaminar grandes rios da China com dejetos químicos.

Doze ativistas do Greenpeace vestidos com uniforme de árbitros de futebol entraram, em meio a apitaços, em uma das lojas mais movimentadas da Adidas, na cidade do sul da China.

Ali, distribuíram panfletos da campanha aos clientes e exibiram cartões amarelos para os funcionários da loja, pedindo à marca que “jogue limpo”.

Oito amostras de água, coletadas nas duas fábricas situadas nos deltas dos rios Yangtzé e Pérola, contêm um “coquetel de substâncias químicas perigosas”, alertou a ONG no relatório do mês passado.

Nike e Puma, outras grandes marcas de roupa esportiva, asseguraram desde então que eliminarão o uso de agentes químicos tóxicos de seus produtos até 2020, mas a Adidas não o fez, segundo a porta-voz do Greenpeace, Vivien Yau.

A Adidas Hong Kong não respondeu aos telefonemas para fazer comentários.

Mas a empresa havia dito anteriormente que utiliza o grupo Youngor, um dos fabricantes acusados, apenas para cortar e costurar as peças, e não para fabricá-las, embora tenha pedido a Youngor que investigue as denúncias do Greenpeace.

A companhia acrescentou, ainda, que tem uma política de evitar substâncias perigosas.

No entanto, Yau disse que como segunda maior marca de roupas esportivas, a “Adidas tem a obrigação de desintoxicar sua cadeia de fornecimento mundial”.

“Até agora, a marca não fez nada, apesar das nossas demandas repetidas, o que realmente é inaceitável”, destacou.

Reportagem da France Presse, na Folha.com

EcoDebate, 24/08/2011

 
 
[Por David DeFusco, em EcoDebate] O crescimento explosivo das cidades em todo o mundo ao longo das próximas duas décadas apresenta sérios riscos às pessoas e ao meio ambiente global, de acordo com uma metanálise publicada hoje no PlosOne.

Pesquisadores de Yale, Estado do Arizona, Texas A&M e Stanford prevêem que até 2030 as áreas urbanas se expandirão por 590.000 milhas quadradas —quase o tamanho da Mongólia — para servir às necessidades de 1.47 bilhões de pessoas que vivem nas áreas urbanas.

“É provável que essas cidades sejam desenvolvidas em locais que são os mais diversos biologicamente,“ disse Karen Seto, o autor-líder do estudo e professor associado no ambiente urbano na Yale School de Estudos Ambientais & de Silvicultura. “Eles continuarão crescendo e expandindo-se em florestas, pontos quentes biológicos, savanas, linhas costeiras – locais vulneráveis e sensíveis.”

As áreas que encontraram foram se expandindo mais rapidamente ao longo das costas. “De todos os lugares para as cidades crescerem, as costas são as mais vulneráveis.

As pessoas e as infra-estruturas estão sob risco de inundações, tsunamis, furações e outros desastres ambientais,” disse Seto.

O estudo fornece uma estimativa inicial de quão rápido as áreas urbanas mundialmente estão crescendo e quão rápido elas podem crescer no futuro. “Sabemos bastante sobre os padrões globais de crescimento da população urbana, mas sabemos muito menos sobre como as áreas urbanas estão mudando”, disse ela. “

“Alterações na cobertura da terra associadas à urbanização conduzem muitas mudanças ambientais, desde perdas de habitat e conversão de terras agrícolas até alterações nos climas locais e regionais.”

Os pesquisadores examinaram estudos revisados por especialistas que usaram dados de satélites para crescimento de mapas urbanos e descobriram que de 1970 a 2000, a área ocupada urbana mundial tinha aumentado em, pelo menos, 22.400 milhas quadradas – metade do tamanho de Ohio.

“Este número é significativo, mas, na verdade, a expansão de áreas urbanas foi de longe muito maior do que nossa análise mostra, porque só consideramos os estudos publicados que usaram os dados de satélite,” disse Seto. “Descobrimos que 48 das áreas urbanas mais populosas foram estudadas usando os dados de satélite, com descobertas em jornadas revisadas por especialistas. Isso significa que não estamos acompanhando a expansão física de mais da metade das maiores cidades do mundo.”

Metade da expansão de terras urbanas na China é conduzida por uma classe média em ascensão, considerando que o tamanho das cidades na Índia e na África é impulsionado inicialmente pelo crescimento da população. “As rendas crescentes se traduzem no aumento da demanda por maiores casas e mais terras para o desenvolvimento urbano, que tem grandes implicações para a conservação da biodiversidade, perda de reservatórios de carbono e uso de energia.”

A Meta-Analysis of Global Urban Land Expansion
Seto KC, Fragkias M, Güneralp B, Reilly MK, 2011 A Meta-Analysis of Global Urban Land Expansion. PLoS ONE 6(8): e23777. doi:10.1371/journal.pone.0023777

Tradução de Fernanda Medeiros, da MR Tradutores Associados para o EcoDebate.

Texto de David DeFusco, da Yale University, publicado pelo EcoDebate, 23/08/2011

 
 
[EcoDebate] O Decreto 7.405/2010 que instituiu o Programa Pró-Catador para integrar as ações do Governo Federal relacionadas ao incentivo à organização produtiva, inclusão social e econômica, melhoria das condições de trabalho e expansão da coleta seletiva com a participação destes trabalhadores, estabeleceu o Comitê Interministerial para Inclusão Social e Econômica dos Catadores de Materiais Reutilizáveis e Recicláveis para coordenar a execução e realizar o monitoramento do Programa.

Este Comitê é integrado por titulares e suplentes de dezesseis órgãos federais: Casa Civil, Ministérios da Educação, Saúde, Trabalho e Emprego, Ciência e Tecnologia, Meio Ambiente, Desenvolvimento social e combate à Fome, Cidades, Indústria e Comércio Exterior, Previdência Social, Turismo, Planejamento, Minas e Energia, Fazenda, Secretaria Geral da Presidência da República e Secretaria de Direitos Humanos. Podem ser convidados para integrarem o Comitê representantes de outras organizações federais como o Banco Nacional de Desenvolvimento Social, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Petrobrás, Eletrobrás, Fundação Nacional de Saúde e Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada.

As atribuições do Comitê Interministerial são articular as políticas setoriais, acompanhar a implantação de ações voltadas aos catadores, apoiar ações de inclusão social e econômica deste segmento, estimular a formação de fóruns e comitês locais, propor campanhas educativas e promover a cultura de inclusão dos trabalhadores com materiais recicláveis e reutilizáveis nas ações e políticas públicas, propor a inclusão de recursos no orçamento da União e incentivar o setor privado nas ações inclusivas. A definição do plano de ação, critérios de reconhecimento, cadastramento e seleção do público alvo do Programa, conteúdos mínimos dos termos de adesão, avaliação dos editais e balanço anual dos resultados também são responsabilidades deste Comitê.

A coordenação é conjunta entre os Ministérios do Desenvolvimento Social e Combate à Fome e do Meio Ambiente e as atividades da Secretaria Executiva são exercidas pelo Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome. As despesas de implantação e execução do Programa serão através de orçamento próprio anualmente destinado pelos órgãos e entidades envolvidas.

Antonio Silvio Hendges, articulista do EcoDebate, é Professor de Ciências e Biologia, Agente Educacional no RS. Email: as.hendges{at}gmail.com

EcoDebate, 23/08/2011http://www.ecodebate.com.br/2011/08/23/comite-interministerial-para-inclusao-social-e-economica-dos-catadores-de-materiais-reutilizaveis-e-reciclaveis-artigo-de-antonio-silvio-hendges/