As plantas do gênero agave, encontradas em grande quantidade no México, são normalmente usadas para fazer o combustível que costuma animar festas no ritmo da salsa e do merengue: a tequila. Pesquisadores das universidades de Oxford, no Reino Unido, e de Sydney, na Austrália, descobriram, entretanto, que esses vegetais podem ser transformados em combustível de verdade, ou, mais especificamente, no bioetanol. Reportagem no Correio Braziliense. No estudo, publicado na revista Energy and environmental science, investigadores britânicos e australianos perceberam que o cultivo da agave apresenta uma série de vantagens em relação à produção de etanol a partir do milho e da cana-de açúcar. “Além de crescer em terras com limitada quantidade de água, essa planta evita a competição com a produção de alimentos, já que certos tipos de grãos podem ser cultivados na mesma área da agave sem problemas”, exemplifica Daniel Tan, um dos autores da pesquisa, em entrevista ao Correio. O estudo surgiu de uma reflexão da equipe sobre a crescente escassez de petróleo no mundo e a dependência da população em usar combustíveis fósseis, que poluem o ar e são uns dos principais causadores do efeito estufa. Nessa análise — que, segundo Tan, foi a primeira do ciclo de vida do agave como matéria-prima do bioetanol —, a equipe plantou o vegetal na Austrália, no estado de Queensland. Foram estudados o processo de cultivo da planta, a remoção de ervas daninhas, a colheita do material e sua transformação em álcool anidro e hidratado. O biocombustível feito da planta que dá origem à tequila, da espécie Agave tequilana, mostra que a liberação de dióxido de carbono para o ambiente (calculado na proporção de 35 gramas para cada megajoule produzido) é menor do que ao fabricar etanol a partir do milho, cuja emissão é de 85g/MJ. Para comparar, a queima do petróleo para ser transformado em gasolina lança no ar cerca de 100g/MJ. No entanto, o produto ainda é mais poluente do que o derivado da cana-de-açúcar, que tem proporção de 20g/MJ. “O etanol derivado da agave tem um equilíbrio energético positivo: a energia criada é cinco vezes maior do que a necessária para produzi-lo”, ressalta Tan, doutor em fisiologia de plantas pela Universidade de Sydney. “Ela demonstra que é possível ter resultados duplamente benéficos. Com o combustível, principalmente o álcool hidratado, você pode abastecer veículos e também reduzir a emissão de carbono na atmosfera”, comemora. Facilidade A maior vantagem da agave em relação à cana-de-açúcar, base do álcool combustível no Brasil, seria a capacidade de o vegetal se desenvolver em ambientes semiáridos. No caso da cana, é necessário haver água em grandes quantidades e solo fértil para um cultivo eficiente. Em entrevista ao jornal britânico The Guardian, o cientista da Universidade de Oxford Andrew Smith destacou que, diferentemente do vegetal brasileiro, a planta presente em maior quantidade no México se adapta às mudanças climáticas. “Em um mundo onde terras aráveis e recursos hídricos estão cada vez mais escassos, a capacidade de sobreviver em diferentes ambientes é um atributo-chave na discussão da produção de alimentos contra combustíveis.” A pesquisa também revela que a Agave sislana, que dá origem ao sisal, pode ser uma outra fonte de etanol. Tan afirma que há um estudo em andamento sobre o uso da biomassa do sisal para essa produção, já que, após a extração da fibra para fazer fios, 96% da planta são descartados em lagoas, rios e mares, poluindo o meio ambiente. O projeto estudado é uma parceria do Instituto de Inovação em Produção da Universidade de Dar es Salaam, na Tanzânia, com a Universidade de Aalborg, na Dinamarca. Para Tan, o uso de bioetanol é apenas uma parte da solução para a questão dos combustíveis renováveis. “Eu e toda a equipe esperamos que, futuramente, carros elétricos híbridos e carros movidos a células de hidrogênio sejam baratos o suficiente para se espalhar entre a população mundial. Isso seria mais eficiente”, acredita. A pesquisa destaca, ainda, que a produção de biogás ou bioeletricidade a partir do bagaço da agave poderia ser benéfica para países em desenvolvimento, que poderiam reduzir, a longo prazo, o custo da energia elétrica em fábricas e usinas. Daniel Tan afirma que esse pode ser o foco de um novo estudo sobre a Agave tequilana, no qual pretende associar o conhecimento de agrônomos, tecnólogos e biólogos em geral. Outros usos alternativos dos resíduos da agave observados no estudo consistem em ração animal, papel, bioplástico e carbono ativado. Nos postos O álcool anidro tem, em sua composição, 99,5% de álcool puro e 0,5% de água. Esse produto, no Brasil, é misturado à gasolina vendida nos postos de combustíveis, representando entre 18% e 25% da solução. Se adicionado em pequenas proporções na gasolina, não afeta o desempenho dos motores de veículos. Já o álcool hidratado é formado por 96% de álcool puro e 4% de água. É o etanol presente nos postos, que também pode ser usado para abastecer automóveis que têm motor bicombustível, mais conhecido como flex. EcoDebate, 11/08/2011 Add Comment [EcoDebate] Após vários anos, agora é a vez da Logística Reversa mostrar seu valor. Este tema foi esquecido durante anos pelas organizações, as quais, até então, tinham como objetivo final apenas a venda dos seus produtos, não se preocupando com o destino final de possíveis “sobras” geradas pelos seus processos. A mudança de comportamento está ocorrendo à medida que aumentam os lançamentos de produtos. Além disso, a ferramenta de e-commerce avança na sociedade e a facilidade que o consumidor final tem de, alguma forma, devolver o produto, aumentam a preocupação do governo, das empresas e do próprio consumidor com relação ao movimento de retorno “sem controle”. Os grandes impactos ambientais e econômicos ocorridos atualmente demandam ações imediatas e assertivas, colocando as empresas na linha de frente no gerenciamento destas ações. Programas como o CARBONO NEUTRO® e CARBONO ZERO®, coordenados pela empresa Max Ambiental, são iniciativas que tem por finalidade combater as mudanças climáticas através da mensuração, redução e compensação de emissão de GEE (Gases Efeito Estufa). Ainda há projetos que contemplam a geração de trabalho e renda, inclusão social e capacitação para atuar em projetos e educação ambiental. O estabelecimento de metas de redução de GEE ainda não é obrigatório, porém algumas empresas já estabelecem metas e procuram cumprí-las através de programas internos e envolvimento de seus colaboradores. A empresa Diageo do Brasil, atuante no segmento de bens de consumo/bebidas, possui programas de sustentabilidade ambiental para os próximos anos para reduzir o carbono emitido, o desperdício de água e para reduzir resíduos enviados à aterros. Outro programa interessante da parceria Diageo e a Cooperativa Vira Lata, é o programa Glass is Good™ que tem por objetivo estimular, por meio de reciclagem instruída, a coleta seletiva dos materiais e sua destinação correta à reciclagem. O processo é realizado pela seguinte dinânica: as garrafas descartadas são armazenadas nos estabelecimentos parceiros da Diageo e posteriormente separadas e trituradas pela cooperativa em máquinas especiais fornecidas pela Diageo. O vidro reciclado servirá como matéria-prima de novas embalagens dos produto da empresa. Iniciativas como estas visam criar políticas de sustentabilidade e gestão correta de seus resíduos. Áreas específicas e políticas organizacionais focadas neste tipo de gestão estão sendo criadas dentro das empresas e novos profissionais entram em cena. A estratégia da área de logística hoje passa pela análise do possível retorno do produto, tanto em um processo de devolução, quanto por um processo de retrabalho. Os custos deste tipo de operação, a logística reversa e a forma de descarte correto devem ser focos de análise de viabilidade e compreensão dentro da empresa, pois a dificuldade de gerenciar a logística reversa em um país continental como o Brasil passa a ser mais um desafio para os especialistas da área. O trabalho, em conjunto das áreas de logística e gestão ambiental, é essencial para que o ciclo logístico seja realizado de forma “correta” e sustentável para o planeta. Roger Luna é Administrador de Empresas, Especialista em Gestão de Logística Empresarial. Atua como Consultor de Processos Logísticos (OTC) e professor nos cursos de Logística na Faculdade Drummond e no Senac. Profissional com mais de 15 anos de experiência em empresas multinacionais na área de Logística EcoDebate, 11/08/2011 http://www.ecodebate.com.br/2011/08/11/logistica-reversa-ou-logistica-correta-artigo-de-roger-luna/ Câncer, leucemia, malformações fetais, abortos espontâneos, problemas respiratórios, oculares e dermatológicos: é interminável a lista de doenças das quais os habitantes de San Jorge se dizem vítimas. A 600 quilômetros de Buenos Aires, com seus 25 mil habitantes, San Jorge é um agradável vilarejo de Santa Fe, uma das mais ricas províncias agrícolas da Argentina. No bairro pobre de Urquiza, somente uma rua de terra separa a casa de Viviana Peralta dos campos de soja onde a pulverização de pesticidas se faz por avião. Foi somente quando ela percebeu que Ailen, sua filha de um ano e meio, estava tendo crises agudas de asma cada vez que o avião sobrevoava sua casa, que a sra. Peralta fez a associação. No hospital, uma pediatra confirmou a presença de glifosato no sangue de Ailen. Reportagem de Christine Legrand, Le Monde. O glifosato é o princípio ativo do Roundup, o herbicida elaborado e comercializado pela empresa americana Monsanto, cujo uso se popularizou a partir de 1997 na Argentina, pioneira na América do Sul. Em contato com o herbicida, todas as ervas daninhas morrem, exceto pela soja RR (Roundup Ready), a soja transgênica tolerante ao Roundup criada pela Monsanto. Em San Jorge, a incidência de câncer aumentou 30% em dez anos. Depois de uma pulverização, os habitantes contam que seus lábios ficaram arroxeados e suas línguas incharam. Frangos morreram. Gatos e cachorros perderam o pelo. Abelhas desapareceram e os pássaros foram rareando. Depois de ter sido dispensada pelo prefeito, Viviana Peralta resolveu apelar para o tribunal. Um juiz a ouviu. Ele aceitou receber sua queixa, bem como a de 23 famílias do bairro, contra o governo argentino, as autoridades provinciais e os produtores de soja. No dia 17 de março de 2009, a Justiça deu um veredito histórico ao proibir qualquer pulverização a menos de 800 metros das casas caso ela seja feita com a ajuda de “mosquitos”, os tratores que empregam asas com vários metros de extensão, e a menos de 1,5 quilômetro se feita por avião. “O glifosato não é água benta, como quiseram fazer a gente acreditar!”, se revolta Carlos Manessi, agrônomo e coordenador para a província de Santa Fe da campanha nacional contra as pulverizações. Ele ressalta que a comercialização do Roundup foi autorizada na Argentina sem análise científica prévia do governo, e “somente a partir de um relatório da Monsanto em inglês, nunca traduzido.” Os produtores locais de soja estão convencidos de que o Roundup é inofensivo. “Proibi-lo seria como proibir a aspirina”, diz um deles. A febre do “ouro verde” tomou conta da maior parte das províncias argentinas, incentivada pela demanda dos países emergentes e da disparada nos preços no mercado mundial. A Argentina é a terceira maior produtora de soja, e a primeira exportadora de produtos derivados (óleo e farinha). A soja RR ocupa mais da metade das terras cultivadas, ou seja, 17 milhões de hectares. Terras queimadas No frio do inverno austral, de cada lado da estrada nacional 10 que liga Santa Fe a Córdoba, outra rica província agrícola, se estendem a perder de vista terras acinzentadas, queimadas pelo Roundup antes da época das sementes. As vacas, habitantes tradicionais dos pampas, foram confinadas. Qualquer pedaço de terra, até na beira da estrada, é reservado para a soja. “Todos aqueles que falam dos perigos do glifosato são tratados como loucos, são acusados de serem contra a prosperidade do país”, se indigna Viviana Peralta. Ofereceram-lhe dinheiro para que ela se mudasse. Apesar das ameaças, um movimento de resistência surgiu em diversas províncias. Em Córdoba, a associação das Mães do Bairro de Ituzaingo denuncia mais de 200 casos de câncer entre 5 mil habitantes. Nas ruas, as mulheres usam lenço na cabeça, e as crianças, uma máscara no rosto. Tratadas como “loucas”, as Mães conseguiram, em 2009, que um juiz proibisse a pulverização por avião a menos de 1,5 quilômetro das habitações. Mas nem sempre essas proibições são respeitadas. E o Roundup pode permanecer por muito tempo em suspensão na atmosfera, e viajar por vários quilômetros, levado pelo vento e pela água. Muitas autoridades provinciais e parlamentares são eles próprios produtores de soja, ou investiram na produção de sementes. A maioria dos engenheiros agrônomos trabalha para fabricantes de pesticidas. Em compensação, há cada vez mais médicos rurais que falam sobre o “pesadelo sanitário”: “Ele afeta 12 milhões de pessoas na Argentina”, afirma Medardo Avila Vázquez, coordenador do movimento dos Médicos dos Povos Vítimas da Pulverização. Na província do Chaco, na fronteira com o Paraguai, no município de La Leonesa, um estudo revelou que ao longo dos dez últimos anos a incidência de câncer triplicou, e o das malformações quadruplicou. Há uma batalha jurídica entre os habitantes e os produtores de arroz, a principal riqueza da região, que utilizam glifosato e praticam a aspersão por avião. A população pede por uma distância razoável entre as casas, as escolas, os cursos d’água e os arrozais. Mas também por um controle oficial da saúde dos habitantes e do meio ambiente. O embriologista Andrés Carrasco, da Universidade de Buenos Aires, publicou, no final de 2010, um estudo mostrando o efeito tóxico do glifosato sobre embriões de anfíbios. Esse trabalho lhe valeu persistentes antipatias. Ele foi agredido quando esteve em La Leonesa, e a palestra que ele deveria dar no Salão do Livro foi cancelada. “Não descobri nada de novo. Só confirmei aquilo que outros cientistas haviam descoberto”, ele explica. “Existem provas científicas e, sobretudo, centenas pessoas que são a prova viva dessa urgente questão sanitária”. O pesquisador lembra que na França e nos Estados Unidos, a Monsanto foi condenada por publicidade enganosa depois de apresentar seu herbicida como “100% biodegradável”. Na Argentina, utiliza-se cada vez mais o Roundup, pois as ervas daninhas estão desenvolvendo resistência. Em 1991, o país consumia um milhão de litros de glifosato, e passou para 200 milhões de litros em 2009. Tradução: Lana Lim Reportagem [En Argentine, les habitants exposés à l'herbicide se plaignent de multiples affections] de Le Monde, no UOL Notícias. EcoDebate, 10/08/2011http://www.ecodebate.com.br/2011/08/10/argentinos-expostos-ao-herbicida-glifosato-usado-em-transgenicos-se-queixam-de-doencas/ Poluição por petróleo: Nigéria sofre lentamente com um dos maiores desastres ecológicos do mundo 08/08/2011
Nigéria é palco de um dos maiores desastres ecológicos do mundo com poluição por petróleo – Um relatório das Nações Unidas acusa o grupo Shell e acredita que serão necessários 30 anos para limpar a região Ogoni É um dos maiores desastres ecológicos do mundo: no delta do rio Níger, ao sudeste da Nigéria, a região Ogoni sofreu por 50 anos uma contínua poluição por petróleo. A quantidade de petróleo que se espalhou por esses cerca de mil quilômetros quadrados de territórios recortados de baías não é conhecida com precisão, mas foi grande o suficiente para ter consequências pesadas e duradouras. Reportagem de Hervé Kempf, Le Monde “A poluição penetrou mais longe e mais profundamente do que se poderia presumir”, escreve o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), em relatório publicado na quinta-feira (4), que ressalta a responsabilidade de uma das maiores empresas petroleiras do mundo, o grupo Shell. Segundo o Pnuma, “a restauração ambiental da região Ogoni poderá se revelar o mais extenso e mais longo exercício de limpeza jamais realizado”. O caso tem uma longa e dolorosa história. A exploração do petróleo pela Shell no delta do Níger começou em 1956. Vazamentos de hidrocarbonetos e queimas em flares dos gases de petróleo ocorreram com frequência desde o começo, e aumentaram ao longo dos anos. Essa situação acabou suscitando a fúria do povo ogoni, que conta com cerca de 800 mil pessoas. O Mosop (Movement for the Survival of the Ogoni People) foi fundado em 1990. As ações de protesto foram imediatamente reprimidas pelo governo militar da época, que apoiava a Shell. Em 1990, 80 manifestantes foram mortos no vilarejo de Umuechem. Em 1993, o líder do movimento, o escritor Ken Saro-Wiwa, organizou uma manifestação que reuniu 300 mil ogonis. Dois anos mais tarde, ele foi preso, condenado e enforcado, ao final de um julgamento duramente criticado pelas organizações de defesa de direitos humanos. Essa quase guerra civil levou à suspensão da exploração petroleira na região Ogoni a partir de 1993. Mas os vazamentos continuaram, em razão da má manutenção dos oleodutos que atravessam o território e frequentes sabotagens visando desviar o petróleo para refiná-lo ilegalmente. Após 1999 e o restabelecimento da democracia na Nigéria, um “processo de reconciliação” foi iniciado, levando o governo a pedir ao Pnuma para realizar um estudo ambiental aprofundado. Ele só foi lançado em 2009, após uma longa negociação para garantir sua independência em relação a seu financiador… que não era ninguém menos que a Shell. Conduzido por quatorze meses, o estudo se baseou na análise de 4 mil amostras retiradas de 69 pontos, no exame de 5 mil dossiês médicos e de muitas entrevistas com a população. O balanço é tenebroso: em muitas comunidades, a água potável está contaminada de forma pesada pelos hidrocarbonetos. A pior situação foi constatada no vilarejo de Nisisioken Ogale, onde os poços foram contaminados por benzeno a uma taxa 900 vezes superior à norma estabelecida pela Organização Mundial da Saúde. Da mesma forma, “a poluição do ar associada às operações da indústria petroleira é generalizada e afeta a qualidade de vida de quase um milhão de pessoas”, afirma o relatório. Impacto desastroso Na verdade, “a saúde pública está seriamente ameaçada em pelo menos dez comunidades”. O impacto sobre os mangues foi “desastroso”, ao passo que a poluição de muitas baías impede a pesca, uma atividade essencial para os ogonis. Os especialistas do Pnuma ressaltam a responsabilidade da Shell, observando que “os próprios procedimentos da Shell Petroleum Development Company [sobre a manutenção das instalações] não foram aplicados”. O Pnuma recomenda uma limpeza do território, sabendo que “a restauração dos mangues e dos pântanos muito poluídos levará até 30 anos”. Ele propõe a criação de uma autoridade de restauração ambiental, financiada por um fundo dotado de um capital de US$ 1 bilhão (R$ 1,58 bilhão). As organizações ambientais nigerianas comemoraram o relatório do Pnuma, que confirma a constatação que elas fizeram há anos. Mas para Nnimmo Bassey, ambientalista nigeriano que preside a Federação Internacional dos Amigos da Terra, “um fundo de US$ 1 bilhão não é nada comparado com o desastre ecológico criado pela Shell: serão necessários US$ 100 bilhões”. Bassey ressalta que a poluição petroleira não atinge somente a região Ogoni, mas também é observada em outras regiões do delta do Níger. Em um breve comunicado, o grupo Shell respondeu ao relatório lembrando que ele não explorava mais petróleo na região Ogoni desde 1993, e que “a maioria das marés negras na Nigéria são causadas pela sabotagem, pelo roubo e pelo refinamento ilegal”. “O relatório do Pnuma observa que o refinamento ilegal só se desenvolveu na região Ogoni a partir de 2009,” ressalta Nnimmo Bassey. “Além do mais, a análise fala da poluição histórica que se acumulou antes dos anos 1990”. Na quarta-feira, a Shell havia reconhecido sua responsabilidade – e aceitou pagar indenizações – sobre duas marés negras que ocorreram em 2008 na região Ogoni e afetaram a comunidade Bodo. Essas poluições se devem ao vazamento do oleoduto que atravessa a região e é administrado pela companhia anglo-holandesa. Tradução: Lana Lim Reportagem [Au Nigeria, une lente et massive pollution au pétrole] de Le Monde em UOL Notícias. EcoDebate, 08/08/2011http://www.ecodebate.com.br/2011/08/08/poluicao-por-petroleo-nigeria-sofre-lentamente-com-um-dos-maiores-desastres-ecologicos-do-mundo/ Fauna e a flora do fundo dos oceanos estão ameaçadas – Os impactos negativos da ação humana nos ecossistemas ultrapassaram a parte visível do planeta. Setenta e um por cento da Terra é formada pelos oceanos e, apesar de metade dos mares terem profundidade acima de 3 mil metros, esse mundo distante e pouco conhecido já sofre ameaças à fauna e à flora. Mudanças climáticas antropogênicas, lixo e exploração submarina são as principais causas da degradação oceânica, de acordo com um estudo internacional [Deep-Water Chemosynthetic Ecosystem Research during the Census of Marine Life Decade and Beyond: A Proposed Deep-Ocean Road Map] baseado em dados do Censo da Vida Marinha e publicado neste mês pelo site especializado PloS One. Reportagem de Paloma Oliveto, no Correio Braziliense. “As pessoas não veem o fundo do mar, por isso, sua degradação é um problema com o qual não se preocupam. Isso tem incentivado, ao longo dos séculos, o despejo de todo tipo de resíduo no oceano”, observa, em entrevista ao Correio, Eva Ramirez-Llodra, biogeógrafa do Instituto de Ciências do Mar, em Barcelona, principal autora do artigo. “Ações como essa trazem efeitos ainda desconhecidos para os hábitats e suas faunas. E, embora jogar lixo no mar seja uma atividade proibida, o problema persiste por causa do acúmulo histórico em oceanos de todo o mundo”, diz a pesquisadora, que também integrou a equipe do Censo da Vida Marinha. De acordo com Ramirez-Llodra, a exploração do fundo do mar começou há 150 anos, incentivada por debates sobre a existência de vida a profundidades a partir de 300m. Em 1818, sir John Ross, almirante escocês, descreveu a estrela-marinha Gorgonocephalus caputmedusae, capturada a 1,6 mil metros na Passagem Noroeste, uma rota marítima entre os oceanos Atlântico e Pacífico, localizada na costa da América do Norte. Só em 1850, contudo, surgiram provas contundentes de flora e da fauna nas partes mais profundas do mar, nos fiordes da Noruega. Pouco tempo depois, a expedição oceanográfica HMS Ghallenger, ocorrida entre 1872 e 1876, encontrou animais em todos os abismos marinhos investigados, mesmo resultado obtido em 1952, quando foi encerrada a expedição dinamarquesa Galathea. “Ao fim desse período de explorações pioneiras, a compreensão que se tinha do oceano profundo era a de um local com baixa biodiversidade. Um ambiente escuro, tranquilo e invariável”, diz o artigo. Com base nessa informação, em 1972 foi assinada a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, documento que considerava o fundo das águas profundas, incluindo os minerais depositados no solo, como explorável. “Mas essa visão mudou substancialmente nas décadas seguintes”, conta Ramirez-Llodra. Riqueza provada Graças a tecnologias mais sofisticadas, pesquisas da macrofauna demonstraram que o oceano profundo era muito mais diverso biologicamente do que se imaginava. Em uma única amostra, uma equipe de cientistas encontrou 365 espécies diferentes. Na década de 1990, foi estimado que 10 milhões de pequenos invertebrados — o dobro do encontrado em florestas tropicais — habitavam o fundo do mar. “Mesmo assim, poucos foram os esforços para pesquisar e analisar esse ambiente”, lamenta a biogeógrafa. Somente no fim do século 21, o oceano profundo foi reconhecido como o maior ambiente da Terra, contendo numerosos sub-hábitats, com características únicas e uma alta biodiversidade. “Ainda assim, o fundo do mar continua mais do que remoto na consciência pública”, comenta Odd Aksel Bergstad, pesquisador do Instituto de Pesquisas Marinhas da Noruega e coautor do artigo publicado no PloS One. “O oceano profundo foi e continua sendo percebido como um provedor de serviços em dois níveis: serviu como um local conveniente para o depósito de lixo, principalmente onde as opções terrestres não eram politicamente e ‘eticamente’ atraentes; e como fonte potencial de minerais e riquezas biológicas”, critica. Em 1972, uma convenção ambiental em Londres proibiu que os navios despejassem lixo no mar. Na prática, entretanto, pouca coisa mudou e, além disso, os efeitos de décadas de acúmulo de detritos ainda não foram apagados, segundo os pesquisadores. Navios graneleiros, petroleiros, barcos de pesca, ferryboats e iates depositam diversos tipos de entulho no oceano profundo, e estima-se que 636 mil toneladas de lixo sejam jogadas no mar todos os anos. As amostras recolhidas por cientistas exibem a variedade de detritos: pesca descartada, óleo, material naval, plástico, redes de arrastão, madeira, cascas e frutas, entre outros. “Em uma pesquisa, encontramos 20 redes de arrastão em uma área de apenas 1km²”, conta. “Pesca fantasma” O lixo, porém, é apenas um dos problemas. Desde 1960, a pesca de arrastão é realizada em profundidades superiores a 200m. Segundo Eva Ramirez-Llodra, cada vez mais os barcos pesqueiros se afastam da costa, em busca de águas mais profundas. “Esse tipo de pesca provoca impacto nas populações de peixes até 3,1 mil metros abaixo do nível do mar. Espécies que vivem nessas profundidades geralmente têm crescimento lento e maturidade tardia, por isso, a captura por redes pode levar ao colapso de algumas populações”, afirma. “O arrastão também reduz a diversidade de invertebrados, principalmente dos corais de águas frias.” No Mar Mediterrâneo, há pelo menos seis décadas o camarão vermelho Aristeus antennatus é perseguido por pescadores, que lançam suas redes a 900m de profundidade. “Estudos recentes sobre a biodiversidade nessas áreas sugerem que houve mudanças significativas na estrutura da população local, com diminuição não apenas do camarão, mas de corais, esponjas e equinodermes do fundo do mar, que acabam sendo capturados também”, conta Ramirez-Llondra. Além disso, muitas redes se perdem ou são descartadas no oceano, acumulando-se no fundo e resultando em um problema conhecido como “pesca fantasma”: animais caem nessas armadilhas abandonadas e não conseguem se desvencilhar. Os impactos, sugerem os autores do artigo, perduram anos a fio. Outras atividades econômicas de risco são a exploração de petróleo e gás, que contamina as águas, além do risco de provocar acidentes, como o ocorrido no ano passado nos Estados Unidos, e a bioprospecção. Por causa da grande biodiversidade do fundo do mar, esse ecossistema tem sido uma fonte de busca de recursos biológicos e genéticos para serem usados em medicamentos e cosméticos. “Pesquisas importantes têm sido feitas, como a busca da produção de sangue artificial e agentes anticancerígenos, mas o problema é que a tecnologia usada não é adequada e coloca todo o ecossistema em risco”, alerta a biogeógrafa espanhola. Clima O aquecimento global não está afetando apenas as temperaturas em terra firme. Outra ameaça ao fundo do mar são as mudanças climáticas, de acordo com o estudo publicado no PloS One. “Alterações no clima ocorreram no passado depois de eventos catastróficos, que levaram a extinções em massa. Pela primeira vez na história da Terra, entretanto, as mudanças têm sido forçadas pelo homem. E essas mudanças afetam o ambiente marinho; o fundo do mar não está imune às consequências”, registra o artigo. Nos hábitats profundos, a mudança climática implica diversos processos, como a acidificação, a alteração na temperatura e a expansão das zonas hipóxicas, áreas onde o crescimento desordenado de algas sequestra todo o oxigênio disponível. De acordo com o estudo, metade do dióxido de carbono lançado pelas atividades humanas na atmosfera vai para o fundo do mar, o que muda o PH da água. Com isso, organismos como os corais são prejudicados. “A continuidade do aquecimento global poderá causar o desaparecimento de recifes de coral”, alerta o professor de biologia da Universidade de Penn State Jodd LaJeunesse, em entrevista ao Correio. O cientista, especialista no assunto, explica que os corais têm uma relação de simbiose com as algas, e qualquer alteração no meio ambiente pode prejudicar as duas espécies. Enquanto nas águas de superfície as algas têm demonstrado tolerância ao aumento da temperatura, nos hábitats frios e profundos muito poucas suportam as alterações climáticas. A equipe de LaJeunesse investigou o comportamento desses organismos no Oceano Índico e na região da Grande Barreira de Corais, na Austrália. “Algumas espécies simbióticas conseguem suportar a água mais quente, mas se o aquecimento global aumentar, mesmo elas não vão tolerar mais”, acredita. Panorama geral O estudo publicado no PloS One tem como base o Censo da Vida Marinha, um trabalho internacional que visa mapear a vida nos oceanos. Veja alguns dados do censo: * As águas da Austrália e do Japão são as que apresentam maior biodiversidade, com 33 mil espécies * Mesmo as regiões menos diversas, como o Mar Báltico e o nordeste dos Estados Unidos, ainda têm 4 mil espécies desconhecidas * Os crustáceos representam entre 22% e 35% das espécies marinhas do Brasil, do Alasca, da Antártica, da Califórnia, do Caribe e da Corrente de Humboldt, mas são apenas 10% da biodiversidade do Mar Báltico * Os moluscos representam 26% das espécies da Austrália e do Japão, mas apenas entre 5% e 7% das espécies do Mar Báltico, da Califórnia, do Ártico e o leste e oeste canadense * Plantas e algas são um terço de todas as espécies do Mar Báltico, do Ártico, da Europa e do Canadá. São escassas, contudo, na Antártica, no Caribe, na China, na Corrente de Humboldt, no Pacífico tropical e no Atlântico tropical * Espécies endêmicas compreendem metade das espécies marinhas da Nova Zelândia e da Antártica, e um quarto das encontradas na Austrália e na África do Sul. As águas do Caribe, da China, do Japão e do Mediterrâneo têm menos de 2 mil espécies, e o Mar Báltico possui apenas um tipo de alga marinha * O local onde há mais espécies invasivas é o Mediterrâneo, com 600 espécies que não são típicas daquele ambiente * O percentual de espécies ainda não descritas é estimado entre 39% e 58% na Antártica, 38% na África do Sul, 70% no Japão, 75% no Mediterrâneo e mais de 80% na Austrália EcoDebate, 08/08/2011 http://www.ecodebate.com.br/2011/08/08/mudancas-climaticas-antropogenicas-lixo-e-exploracao-submarina-ameacam-fauna-e-flora-do-fundo-dos-oceanos/ Uma ilha de lixo flutua ao largo da costa da Califórnia, no oeste dos EUA, como um gigantesco testamento da dependência dos seres humanos de objetos de plástico e da sua incapacidade de se desfazer deles de forma apropriada. Qual é o tamanho desse pedaço do oceano? Alguns dizem que é do tamanho da Província de Quebec, no Canadá, ou 1,5 milhão de quilômetros quadrados – o tamanho do Estado do Amazonas. Outros dizem que essa massa de lixo que se aglomerou por causa das correntezas é do tamanho dos Estados Unidos – ou 9,6 milhões de quilômetros quadrados. Mas poderia também ser o dobro disso. Do The Wall Street Journal. A Grande Mancha de Lixo do Pacífico, como é chamada, é uma metáfora monumental para o problema mundial do lixo, usada pelos ambientalistas para dramatizar o problema de como lidar com o acúmulo de detritos. Mas essa massa flutuante de plástico é difícil de medir, e poucas pessoas estão de acordo sobre qual é seu tamanho. Isso torna difícil determinar o que fazer a respeito. Matéria de Carl Bialik, The Wall Street Journal. Isso não impediu que alguns ativistas e a mídia usassem apenas as maiores estimativas do tamanho da massa para advertir para uma catástrofe ambiental. “Descobrimos que isso (a ilha) captura a imaginação e o foco do público”, diz Eben Schwartz, do programa de lixo marinho da Comissão Costeira da Califórnia, uma agência estatal. No entanto, “embora tentemos caracterizar o problema de forma precisa, há o risco de caracterização errada”. A porção do oceano com grande concentração de plásticos descartados é um produto do movimento das correntes, conhecido com Redemoinho Subtropical do Pacífico, que junta e concentra os detritos. A área chamou a atenção pública graças ao esforços de Charles Moore, um carpinteiro que se transformou em capitão-do-mar que navegou pela área em 1997 e ficou chocado ao encontrar rejeitos de plástico a centenas de quilômetros da costa. “Isso detonou o alarme e o meu desejo de monitorá-lo, me fez querer quantificá-lo, saber a melhor forma de lidar com ele”, diz Moore, um oficial de marinha mercante. Ele criou a Fundação de Pesquisa Marinha Algalita para estudar essa área do oceano e divulgar o problema do plástico. Pesquisadores da fundação tentaram quantificar o redemoinho navegando em alto-mar no Pacífico e catando plástico e plâncton com o uso de um coador que parece uma grande arraia. Coar toda a superfície da área para recolher o plástico seria impossível e, por isso, os barcos da fundação Algalita pesquisam uma pequena amostra, como fazem os pesquisadores de opinião em sondagens eleitorais. Mas é difícil saber como extrapolar as descobertas deles para toda a região. As bordas do redemoinho mudam conforme as estações e alguns cientistas, como Holly Bamford, diretora da programa de detritos marinhos da Administração Nacional da Atmosfera e dos Oceanos, ou Noaa, uma agência do governo americano, alegam que a região de alta concentração de plástico está confinada a uma pequena área do redemoinho. “Admiro Charles”, afirma David Karl, um oceanógrafo da Universidade do Havaí. Mas a estimativa de Moore quanto ao tamanho da mancha de plástico – quase duas vezes o tamanho dos EUA – é considerada um chute por Karl. “Ele não sabe o limite” da área. Moore baseou-se em modelos de correntes marítimas de um cientista aposentado para fazer uma estimativa do alcance da sopa de plástico. “Fiz uma estimativa grosseira, pegando um globo e colocando minha mão sobre a área definida por essa corrente e colocando minha mão sobre o continente africano” para ver como os dois se comparavam. “A parte da sopa condensada pode ser consideravelmente menor”, admite. Mas ele critica os que “se sentam em gabinetes de Washington e dizem que a coisa não é tão ruim”. Bamford diz que unidades de medida inconsistentes do problema têm impedido a pesquisa. “Estamos tentando desenvolver um método padronizado”, diz ela da Noaa, “para que possamos realmente saber como isso se compara com vários locais ao redor do mundo.” Parte das informações equivocadas sai de outros grupos ambientalistas que exageram as pesquisas alarmantes. O colunista ambiental David Suzuki escreveu sobre uma “ilha de lixo plástico enorme, em expansão, com dez metros de profundidade e maior que a província de Quebec”. Perguntado se a região com alta concentração de plástico poderia ser realmente chamada de ilha, Bill Wareham, um especialista em conservação marinha da Fundação David Suzuki, diz: “Não vai parecer uma ilha no contexto de ‘Olha, posso caminhar nisso’. Mas é uma densidade muito alta de plástico.” Ele acrescenta: “David fala de uma maneira em que ele molda a questão para que as pessoas possam entendê-la.” Mesmo que cientistas e ambientalistas possam concordar quanto ao tamanho e à concentração de plástico no redemoinho, não se sabe o que eles podem fazer com as informações que coletam. Os detritos de plástico têm o potencial de lesar pássaros e mamíferos que os comem, porque carregam toxinas, podem causar feridas internas e enganar os animais fazendo-os pensar que estão saciados. Mas é difícil ter números concretos. “É muito difícil dizer que um pássaro morreu por causa de plástico no estômago”, diz Bamford. Embora ninguém ache que os possíveis benefícios do plástico compensam os riscos, Karl, da Universidade do Havaí, encontrou algumas vantagens – uma alta concentração de microorganismos nos detritos. “Os microorganismos são bons para o oceano, porque eles produzem oxigênio”, diz. * Matéria [How Big Is That Widening Gyre of Floating Plastic?] do The Wall Street Journal, noValor Econômico, 25/03/2009. [EcoDebate, 27/03/2009] Brasil tem grande potencial de reciclagem de resíduos, avalia diretor do Ministério do Meio Ambiente 08/03/2011
O Brasil tem grande potencial de reciclagem de resíduos sólidos como vidros, papel, embalagens, alumínios e outros, e a Política Nacional de Resíduos Sólidos, criada em agosto do ano passado pela Lei 12.305, “veio para dinamizar a coleta desses materiais e viabilizar sua reutilização”, afirmou o diretor de Ambiente Urbano do Ministério do Meio Ambiente, Silvano Silvério da Costa. Além do potencial de reciclagem, ele destacou que a lei criou um artifício muito importante, denominado logística reversa, para reaproveitamento dos produtos utilizados. É, na verdade, o “caminho de volta” de baterias, eletroeletrônicos, embalagens, agrotóxicos, óleos lubrificantes e tudo o mais que possa prejudicar a saúde humana deve ser devolvido pelo consumidor ao comerciante, e deste até a origem para o devido encaminhamento à reciclagem. Com isso, a responsabilidade atual de coleta, que é só do Poder Público municipal, passa a ser compartilhada com o fabricante, distribuidor, comerciante e usuário. Depois que o modelo for devidamente implantado, com previsão para agosto de 2014, Costa lembra que o município será obrigado a fazer a coleta seletiva e mandar para o aterro sanitário só o que não for passível de reciclagem ou reutilização – o chamado rejeito. Segundo ele, de 30% a 37% do lixo constituem resíduo seco que pode ser reutilizado, em torno de 55% são resíduos úmidos, aí incluído o material orgânico, sobrando, portanto, de 8% a 10% de rejeito. “É só o material sem possibilidade de reaproveitamento que o município enviará para o aterro sanitário, o que vai reduzir em muito os lixões Brasil afora”, disse. Ele salientou que a lei também cria a obrigatoriedade de o município se adequar à sistemática de coleta seletiva, pois determina que os municípios que não o fizerem, até agosto de 2014, deixarão de receber repasses de verbas do governo federal. Essa obrigação aumenta os desafios para as pequenas e médias cidades que ainda usam lixões a céu aberto por não disporem de recursos financeiros nem capacidade técnica para a gestão adequada dos serviços. Para esses casos, Costa afirma que os municípios mais pobres podem viabilizar autarquias regionais, com interveniência dos governos estaduais. Reportagem de Stênio Ribeiro, da Agência Brasil, publicada pelo EcoDebate, 01/06/2011http://www.ecodebate.com.br/2011/06/01/brasil-tem-grande-potencial-de-reciclagem-de-residuos-avalia-diretor-do-ministerio-do-meio-ambiente/ Política Nacional de Resíduos Sólidos completa um ano mas logística reversa ainda não é realidade 08/03/2011
Sancionada há um ano, no dia 2 de agosto de 2010, a Política Nacional de Resíduos Sólidos mudou a maneira como o governo, em suas três esferas, empresas e cidadãos devem encarar a destinação do lixo. Um dos principais pontos diz respeito à logística reversa, que traz para os vendedores e fabricantes parte da responsabilidade no descarte dos resíduos dos produtos. Esse tema depende de acordos com as cadeias produtoras que devem definir o modelo de recolhimento, reciclagem e destinação final, para entrar efetivamente em funcionamento. Mas, até o momento, nenhum ramo industrial apresentou proposta nesse sentido. Para a coordenadora de Ambiente Urbano do Instituto Polis, Elisabeth Grimberg, o atraso no processo de definição da logística reversa se deve à falta de empenho das indústrias. “[Não há] Nenhum movimento dos fabricantes nessa direção de assumir que estão fazendo uma discussão de com qual modelo eles vão fazer a parte deles”, disse em entrevista à Agência Brasil. A indefinição prejudica, segundo Elisabeth, outros pontos previstos na política nacional, como os planos municipais para gestão de resíduos. Isso porque as estratégias devem levar em conta todo o manejo, incluindo a coleta e reciclagem da qual as empresas também deverão participar. A situação se agrava, na avaliação da especialista, em razão dos prazos. Os planos municipais devem ser concluídos até 2012 e, em 2014, só poderão ir para os aterros o lixo que não tem mais como ser aproveitado ou remanufaturado. Existem, entretanto, setores que estão mais avançados no processo de discussão, segundo o secretário de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano do Ministério de Meio Ambiente, Nabil Bonduki. Ele cita, por exemplo, os fabricantes e distribuidores de lubrificantes que, de acordo com o secretário, deverão assinar um acordo setorial antes do fim deste ano. Outros, como o de eletroeletrônicos, Bonduki define como “complexos” porque abrange vários produtores diferentes. “Envolve computadores, celulares, eletrodomésticos”, enumera. Diversidade que, na avaliação dele, deve dificultar a assinatura de um acordo. “Certamente na hora da definição de qual será a proposta não será fácil encontrar um denominador comum. Talvez terá que ser feita, em cada um desses segmentos, uma proposta específica”, antecipa. O secretário faz questão de ressaltar, no entanto, que a indústria não está “apática” no processo de discussão. Mas ele pondera que só será possível saber até que ponto as empresas estão realmente dispostas a colaborar quando a logística reversa for colocada em prática. “Na hora que for proposta uma logística dos diferentes setores, nós vamos ver qual vai ser o grau de adesão à proposta que for lançada.” Para o diretor executivo da Associação Brasileira das Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), Carlos da Silva Filho, é normal que haja um período de adaptação à lei, sem resultados práticos. “Esse é um processo natural. Porque a lei é bastante inovadora, que altera a sistemática até então desenvolvida e exige um tempo de adaptação”, avaliou. Mas o período de discussão chegou ao fim, na opinião de Silva. Por isso, deve-se exigir, a partir de agora, o cumprimento do estabelecido na legislação. “A partir desse momento o assunto já está mais do que maduro para ser exigido, inclusive, o seu não cumprimento pode ser penalizado.” Elisabeth Grimberg lembra que a legislação permite diversas formas de execução da logística reversa. A proposta, inclusive, leva em consideração os catadores de material reciclável. “Existe toda essa rede de entidades que é atuante e que pode estar envolvida. Isso, em um país como o Brasil, que tem a presença histórica de trabalhadores nesse campo.” Reportagem de Daniel Mello, da Agência Brasil, publicada pelo EcoDebate, 03/08/2011http://www.ecodebate.com.br/2011/08/03/politica-nacional-de-residuos-solidos-completa-um-ano-mas-logistica-reversa-ainda-nao-e-realidade/ EcoDebate] A Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 12.305/2010 e Decreto 7.404/2010) estabeleceu diversos instrumentos econômicos e condições de acesso aos recursos dos poderes públicos. Podem ser instituídas medidas indutoras e linhas de financiamento que objetivem a prevenção e redução dos resíduos sólidos nos processos produtivos, desenvolvimento de produtos que em seus ciclos de vida tenham menor impacto à saúde pública e qualidade ambiental, infraestrutura e aquisição de equipamentos para cooperativas e associações de trabalhadores com materiais reutilizáveis/recicláveis, projetos de gestão intermunicipais e regionais, organização de sistemas de coleta seletiva e logística reversa, desenvolvimento de pesquisas e tecnologias limpas relacionadas aos resíduos sólidos, descontaminação de áreas e desenvolvimento de sistemas empresariais de gestão ambiental que melhorem os processos produtivos e o reaproveitamento dos resíduos gerados. A União, Estados e Municípios podem conceder incentivos fiscais, financeiros e créditos para indústrias e entidades dedicadas à reutilização, reciclagem e tratamento de resíduos sólidos, projetos de responsabilidade pelo ciclo de vida dos produtos em parceria com cooperativas e associações formadas por pessoas de baixa renda e para empresas com atividades em limpeza urbana ou relacionada. Os consórcios públicos formados para viabilizarem a prestação de serviços públicos em resíduos sólidos têm prioridade na obtenção dos incentivos federais. São diversas as maneiras com que os instrumentos econômicos previstos podem ser efetivados: incentivos fiscais, créditos, cessão de terrenos públicos, subvenções econômicas, critérios e metas de sustentabilidade ambiental para as compras e contratações públicas, pagamentos por serviços ambientais, apoio a projetos de Mecanismos de Desenvolvimento Limpo – MDL ou outros mecanismos previstos na Convenção Quadro de Mudança do Clima da ONU. As instituições financeiras federais podem financiar através de linhas especiais a aquisição de equipamentos e máquinas para cooperativas de trabalhadores com materiais recicláveis e reutilizáveis, atividades de reciclagem, reaproveitamento, inovações no gerenciamento e investimentos no setor de resíduos sólidos. A existência dos planos de resíduos sólidos é condição para que os Estados e Municípios tenham acesso a recursos da União e para que empreendimentos e serviços relacionados à gestão, limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos sejam beneficiados por incentivos e financiamentos de entidades federais de crédito ou fomento. A prioridade no acesso aos recursos é para os Estados que instituírem microrregiões em municípios limítrofes ou áreas metropolitanas, municípios que optarem por soluções consorciadas intermunicipais ou inserirem-se de modo voluntário nos planos microrregionais, implantarem a coleta seletiva com a participação de cooperativas ou associações e consórcios públicos constituídos conforme legislação própria. REFERÊNCIAS - Lei 12.305/2010, artigos 42 a 46; - Decreto 7.404/2010, artigos 78 a 81; - Constituição Federal, artigo 25, § 3º. Antonio Silvio Hendges, articulista do EcoDebate, é Professor de Ciências e Biologia, Agente Educacional no RS. EcoDebate, 26/07/2011 Comprar, descartar, comprar - documentário 07/19/2011
Este documentário explica como que a obsolescência programada surgiu e como que os produtos são desenhados para não durar, de modo que as pessoas comprem mais e mais. Vários exemplos são apresentados no vídeo. A bateria do Ipod que só durava 18 meses, a impressora com chip determinando o número de impressões. |


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